Capoeira apresenta uma interpretação intensa e dinâmica da capoeira como expressão cultural, corporal e ancestral da cultura afro-brasileira. Na obra, Jorge Amaro não busca representar o movimento de forma acadêmica ou anatômica, mas traduzir visualmente a energia ritualística, o ritmo e a força simbólica presentes na roda de capoeira.
Executada em pintura sobre tela, a composição utiliza pinceladas livres, sobreposição de cores vibrantes e deformações expressivas das figuras humanas, criando sensação contínua de movimento e musicalidade. Os corpos surgem fragmentados e fluidos, quase fundidos ao espaço pictórico, revelando uma linguagem expressionista marcada pela gestualidade e pela emoção visual.
A paleta intensa, os contrastes cromáticos e a construção pouco rígida das formas aproximam a obra de uma pintura voltada à experiência sensorial e coletiva, em que o gesto importa mais do que a definição precisa. A influência do teatro e da cultura popular brasileira aparece na dramaticidade da cena e na valorização do corpo como elemento de expressão, resistência e identidade.
Mais do que representar uma prática corporal, a obra transforma a capoeira em símbolo de memória ancestral, liberdade e permanência cultural afro-brasileira dentro do imaginário popular.